Na homilia da missa de beatificação de Paulo VI ocorrida em 19 de outubro de 2014, na Praça de São Pedro, o Papa Francisco fez questão de dizer: “Obrigado, nosso querido e amado Papa Paulo VI! Obrigado pelo teu humilde e profético testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja! (…) que soube, quando se perfilava uma sociedade secularizada e hostil, reger com clarividente sabedoria – e às vezes em solidão – o timão da barca de Pedro, sem nunca perder a alegria e a confiança no Senhor.”

O agradecimento do papa Francisco tem um porque. Após o falecimento de João XXIII, eleito Papa, Paulo VI foi investido no dia 30 de junho de 1963 e deu continuidade ao Concílio, que foi por ele designada como tarefa mais importante do seu pontificado. Além de dedicar-se com a reforma da Cúria Romana, à qual imprimiu caráter internacional. Ao iniciar a tarefa importante de seu pontificado, traduzida como “abrir as portas e janelas da Igreja” numa época dominada por conflitos políticos, culturais e econômicos, não poderia ser aplicado muito devagar, para não perder os idealistas que pediam pressa, nem muito ligeiro, para não perder os mais conservadores que pediam uma freada em tudo. Foi considerado por uns como herege, anticristo e mancomunado com Moscou, e para outros, por não pensar no bem da Igreja.

Paulo VI assumiu a face da Igreja que se apresentou como dialogante, sendo “diálogo” a grande palavra: diálogo dentro da Igreja, diálogo entre as Igrejas cristãs, diálogo com o mundo, diálogo com os regimes comunistas de então. “A Igreja de Paulo VI” faz-se diálogo, serviço ao mundo. O Ecumenismo, que era característica das Igrejas cristãs, também foi assumido pela Igreja Católica. Em 1964 foi iniciada a “Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos”. Em 10 de junho de 1969, Paulo VI dirigiu-se a Genebra, à sede do Conselho Mundial das Igrejas, onde pronunciou a antológica apresentação: “Me chamo Paulo, e meu nome é Pedro”.

Paulo VI governou a Igreja entre 1963 e 1978, descansou em paz recitando continuamente o Pai Nosso, aos 80 anos, em 6 de agosto de 1978, festa da Transfiguração do Senhor. A seu pedido, foi sepultado rente ao solo. Com a beatificação de Paulo VI, a Igreja, nestes tempos de mudança, mostra que não se deve ter medo de mudar. Dialogar,debater sempre e deixar o Senhor fazer o resto.Pelo menos foi isto que o novo Beato nos apontou em sua trajetória terrena.

Diácono Carlos José Fernandes

Diácono permanente da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo e professor