A Semana Nacional da Vida, celebrada anualmente desde 2005, por iniciativa da CNBB, traz como tema este ano “Vida e missão: lançar as redes em águas mais profundas” e culmina com a celebração do dia do nascituro, a 08 de outubro. O seu objetivo primeiro é mobilizar os cristãos a proporem à sociedade o debate sobre os cuidados, a proteção e a dignidade da vida humana, em todas as suas fases, desde a concepção até o seu fim natural.

Muitas vezes, as facilidades do mundo contemporâneo tendem a nos fazer enxergar a vida de maneira intimista e individualista, sem se preocupar com o próximo e, muito menos, com aquele que está para nascer. Já no início de sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, o Papa Francisco já nos alerta: “O grande risco do mundo atual, com a sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada. Quando a vida interior se fecha nos próprios interesses, deixa de haver espaço para os outros, já não entram os pobres, já não se ouve a voz de Deus, já não se goza da doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este é um risco, certo e permanente, que correm também os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida. Esta não é a escolha duma vida digna e plena, este não é o desígnio que Deus tem para nós, esta não é a vida no Espírito que jorra do coração de Cristo ressuscitado.” (EG, 2)

O cristão deve se lançar na profundidade do Evangelho, que tem no seu centro a vida, e se esmerar no cuidado da vida, primeiramente, e por conseguinte de toda a criação. “Há outros seres frágeis e indefesos, que muitas vezes ficam à mercê dos interesses econômicos ou de um uso indiscriminado. Refiro-me ao conjunto da criação. Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas.” (EG, 215) A vida deve prevalecer sobre qualquer interesse e, especialmente, os direitos dos indefesos devem ser resguardados. A vida é o bem mais precioso e subsiste desde a concepção. Em uma sociedade marcada pela banalização da vida, voz do cristão deve urgir nos campos do mundo promovendo uma cultura de paz, de justiça e de fraternidade. Cada lar deve ser um lugar fecundo para a escuta atenta da Palavra e dali fazer a vida gerar em abundância.

(Texto publicado no subsídio “Caminhada” – 05/10/2014 – Arquidiocese de Vitória)