Santa Maria Goretti nasceu em Corinaldo aos dezesseis de outubro de 1890, às 13:00h, terceira filha de Luigi Goretti e Assunta, camponeses que viviam como meeiros. Foi batizada em 17 de outubro de 1890, um dia após o seu nascimento.

Foto: Ampliação de uma foto original de Maria Goretti

Foto original de Maria Gorett

A família foi constrangida, por motivo de subsistência, a emigrar para um lugar chamado Colle Gianturco, próximo a Paliano (FR), não muito longe de Nettuno. Em seguida, emigrou para Le Ferriere di Conca localizado no interior da cidade de Nettuno. Tais emigrações revelam o amor e o zelo dos pais que estavam sempre em busca de melhores condições para a família que crescia e se tornava numerosa.

A família era pobre, mas profundamente religiosa e, segundo o costume vigente naquele tempo, os pais fizeram com que Marietta – como era afetuosamente chamada – recebesse o Sacramento da Crisma com a idade de apenas seis anos.

Aos 10 anos de idade, Maria foi privada do afeto paterno. O pai morreu de malária, trabalhando num terreno pantanoso e que requeria muita fadiga. Durante o período em que o pai se encontrou enfermo, Maria cuidou do mesmo como uma pessoa adulta.

Morto o seu pai, a mãe Assunta assumiu todo o peso do trabalho no campo, confiando a Maria todos os cuidados domésticos. Iniciava assim o calvário da “criança de Deus”, que a conduziria até o martírio.

Marieta manifestava um caráter bom, doce e humilde, e se revelou de maturidade precoce diante das necessidades e da mudança de vida que se apresentaram com a morte do pai. Além de fazer todos os trabalhos domésticos, cuidava dos quatro irmãos menores como uma pequena mãe (ela teve outros dois irmãos que faleceram). Não se esquecia da educação dos irmãos, reprovava-os quando faziam molecagem, ensinava-os boas maneiras, as orações principais da Igreja e algumas verdades de fé que já havia assimilado. Todas as noites a família Goretti recitava o rosário antes de dormir.

Mais de uma vez, ela viu sua mãe aflita, sem um centavo no bolso e sem uma fatia de pão para colocar na mesa. Chorando, a mãe se lamentava pela falta do marido. Nestas ocasiões, com o coração apertado, Marieta a abraçava e beijava, esforçando-se para não chorar também ela, e lhe dizia: “Coragem mamãe! Coragem! Daqui a pouco tempo seremos grandes, cresceremos depressa… do que a senhora tem medo? Passaremos nós a ganhar o sustento!… Nós te manteremos!… Deus nos ajudará!” Estes são pequenos fatos que apresentam sua alma angélica e forte.

Sua mãe Assunta, após a morte da filha, continuava a dar testemunho da sua virtude: “Sempre, sempre, sempre obediente a minha filhinha! Não me deu jamais um pequeno desprazer! Também quando recebia qualquer pequena correção, não demonstrou nunca rebeldia, jamais se desculpou, e sempre se manteve calma, respeitosa, sem nunca fazer uma careta.”

Com praticamente 11 anos de idade, Maria Goretti recebeu a primeira comunhão, quase um ano antes de ser assassinada. Não foi fácil a sua preparação para a primeira comunhão. De início, a mãe ficou preocupada, pois Maria não sabia ler e a família não possuía dinheiro para comprar o vestido e os outros objetos necessários para a festa da Eucaristia. Mas, Maria foi insistente, disse que não conseguia ir à igreja sem poder comungar. Entrou numa turma de catequese, dando grande exemplo de empenho ao aprender a doutrina e demonstrando interesse pela oração. Ao final do período de catequese, a mãe levou Maria para fazer um teste com um padre passionista, para saber se ela estava mesmo preparada. O padre felicitou a mãe e afirmou que Maria Goretti podia receber a Eucaristia, pois sabia muito bem o significado do mistério do qual iria participar. Antes da primeira Eucaristia, as crianças fizeram um retiro com um padre Passionista. O mesmo falou sobre a Paixão de Jesus e a Eucaristia. Em certo momento afirmou que o pecado crucifica Jesus. Maria ficou impressionada com essa frase. Chegando em casa disse que evitaria de todas as formas o pecado, pois, jamais gostaria de causar um mal a Jesus. Ao comungar, Maria se propunha ser, a cada dia, ainda melhor. E, de fato, foi assim até atingir a “estatura de Cristo”, no amor.

Os frutos da primeira Eucaristia foram muitos, mas um ficou marcado na memória de sua mãe. Um dia, Maria voltava da Igreja e ouviu duas crianças falando palavras inúteis e desrespeitosas. Ela passou adiante, correu até a casa, contou o fato para a mãe e disse: “Deus me livre, mamãe, de dizer tais palavras, antes morrer do que pecar!”

Esta criança de Deus participante do mistério de Cristo até o martírio revelou-se na sua meninice uma convicta discípula de Cristo. Ela nos mostra que encontrar-se com Jesus é segui-lo com convicção e coragem, é abandonar-se à vontade de Deus. Felizes os que são perseguidos e mortos, dando testemunho da verdade e da liberdade, grande é a alegria dos mesmos no Reino dos Céus.

Na tarde de 5 de julho de 1902, com a idade de 11 anos (faltando poucos meses para 12), Maria foi mortalmente golpeada por um violento rapaz de 19 anos que habitava próximo a sua casa e procurava de todas as formas levá-la ao pecado, não se importando com a sua vontade. Esse rapaz se chamava Alessandro Serenelli, filho de Giovanni Serenelli que era sócio da fazenda onde a família Goretti trabalhava como meeira. Giovanni era viúvo, viciado em bebida e não deu nenhuma formação religiosa ao filho. Alessandro era de personalidade introspectiva, não frequentava a igreja e raramente participava da reza do terço na casa da família Goretti.

Maria foi golpeada com 14 punhaladas porque quis defender a sua pureza virginal. Ao jovem Alessandro, tomado por uma cegueira moral, que a atacou com violência, movido por um desejo desenfreado, ela disse: “É pecado. Deus não quer tal coisa. Alessandro, se o fizeres, vai para o inferno.” Alessandro já havia tentado violentar Maria por duas vezes, ameaçando-a de morte, bem como a sua mãe. Todavia, Maria não disse nada pois não queria colocar mais preocupação na cabeça da mãe. No entanto, pedia-lhe para não deixá-la sozinha em casa.

Ferida, Maria foi transferida para o Hospital de Nettuno,onde foi feito tudo o que estava ao alcance para salvá-la. Realizaram uma cirurgia que durou duas horas! A tentativa de salvá-la foi em vão, pois, havia sido perfurado o pericárdio, o coração, o pulmão esquerdo, o diafragma e intestino. Os médicos não compreendiam como ela ainda vivia.

Retornando da sala de cirurgia, sua mãe se mostrava preocupada em tranquilizá-la; mas ela lhe dizia que estava bem e perguntava pelos irmãos. A desidratação causada pela perda de sangue fazia com que Maria sofresse terrivelmente, mas a gravidade das feridas a impedia de absorver água. Nesta situação ela perguntou para a mãe: “mas porque não posso beber nenhuma gota de água?” Em seguida virou o rosto e logo contemplou um crucifixo presente no quarto. Recordar a sede sofrida por Jesus no alto da cruz tranqüilizou-a e lhe deu consolação. Então, passou a invocar, repetidas vezes, o nome de Maria, a Virgem das Dores.

No outro dia, bem cedo, o padre de Nettuno, Monsenhor Signori, levou o santo viático a Marieta, a fim de confortá-la e fortalecê-la. Após dar-lhe a comunhão, ele perguntou se sabia quem ela tinha recebido. Ao que respondeu: “sim, é o mesmo Jesus que daqui a pouco verei face a face.”

O sacerdote lhe recordou que nosso Senhor havia perdoado a todos no alto da cruz e prometeu ao bom ladrão que, naquele mesmo dia, estaria com Ele no Paraíso. Então, perguntou-lhe se perdoava o seu assassino. Ela respondeu: “Sim, por amor de Jesus, o perdôo. E quero que ele esteja comigo no Paraíso!… Lá do céu, rogarei pelo seu arrependimento!” Foi com esse espírito que ela recebeu a comunhão pela última vez. Algumas horas depois, entrou no delírio da morte. Depois de 24 horas de um inaudito sofrimento, ela se despediu deste mundo às 15:00h do dia 06 de julho de 1902.

Assistido pelos Padres Passionistas, Alessandro se converteu. Concluídos os 27 anos de prisão, foi liberado e se dirigiu a Corinaldo, onde habitava a mãe de Maria Goretti, para lhe pedir perdão. Imitando a atitude da filha, a mãe o perdoou e estiveram lado a lado na missa de Natal. Depois, o assassino arrependido se fez terciário franciscano e terminou os seus dias, já ancião, como servente e jardineiro em um convento capuchinho.

No ano de 1935 foi dado início ao procedimento canônico, a fim de proclamar Maria Goretti, Santa. O papa Pio XII proclamou-a Beata aos dias 27 de abril de 1947 e no dia 24 de junho de 1950 foi declarada Santa na Praça de São Pedro, cidade do Vaticano, com a presença de 500.000 fiéis. Maria Goretti foi definida a Santa Inês do século XX.